Quando a voz tem cor de sangue
E a poesia se transforma em carne
cujo odor indubitavelmente espesso se confunde
com a lua cheia
A única serpente que rasteja
se atreve a voar por entre palavras e ruídos
No limiar do medo
No entreato musical
Nos poliedros da virtude
Na liberdade cognitiva de um verso náufrago
Girassóis em chamas miram a primavera num delírio de vertigem
E assim descobrimos a verdade no espelho:
Somos trovão e fogo
Vento e lodo
Cais e chuva
Somos meses de tormenta
Céu e ribanceira
Óleo sobre tela
Somos deserto e lâminas de chumbo
Somos o eco dos mananciais
(Vinicius Maganha - São Paulo - outubro de 2018)

Nenhum comentário:
Postar um comentário