quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Limiar do medo

Quando a voz tem cor de sangue
E a poesia se transforma em carne
cujo odor indubitavelmente espesso se confunde
com a lua cheia
A única serpente que rasteja
se atreve a voar por entre palavras e ruídos

No limiar do medo
No entreato musical
Nos poliedros da virtude
Na liberdade cognitiva de um verso náufrago
Girassóis em chamas miram a primavera num delírio de vertigem

E assim descobrimos a verdade no espelho:
Somos trovão e fogo
Vento e lodo
Cais e chuva
Somos meses de tormenta
Céu e ribanceira 
Óleo sobre tela
Somos deserto e lâminas de chumbo
Somos o eco dos mananciais 
 
(Vinicius Maganha - São Paulo - outubro de 2018) 
 
 


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