Na corda bamba de um delírio anacrônico
Um mago caminha suavemente carregando um buquê de ilusões
Pé ante pé
Enquanto inspira o mito da realidade
E expira sonhos que se condensam em nuvens coloridas e antropomórficas
O mago prenuncia o fogo petrificado do arrebol escarlate
Ao som agonizante de uma tempestade mística
Todas as cores se misturam às vozes celestiais
Todas as formas declinam numa espécie de dança universal
O infinito é afinado em lá bemol
E os mistérios se intensificam na ausência dos sentidos
Num instante de volúpia, o mago hipnotiza o céu enluarado que anuviou
E de suas costas brotam asas de jasmim
Enormes asas que enlaçam o destino da existência humana
No mais profundo e longínquo eclipse espiritual
(Vinicius Maganha - São Paulo - dezembro de 2018)

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