Lembro de me ver caindo entre as engrenagens tortuosas do tempo
Andando em caminhos de acaso e espinhos
Procurando sonhos nos escaninhos do abandono
Lembro do meu corpo flutuando em óleo sobre tela
Transformando-se em fumaça densa
que envolvia o desespero nos labirintos da madrugada
Lembro de escutar a sinfonia das coisas
Das cores
O eterno estrondo que percorria o infinito estremecendo universos
Lembro de sentir a pele macia das memórias infantis
De tocar o firmamento em meus delírios mais intensos
De sangrar a gravidade com as pétalas de um lírio
Lembro de banhar-me calmamente com meus próprios pensamentos
que jorravam turvos das fontes do esquecimento
(Vinicius Maganha - São Paulo - Dezembro de 2018)
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