quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Alicerces da escuridão

Um abismo me observa à distância 
como se evocasse a utopia desvairada dos andaimes celestes
Vibrando na freqüência dos tambores que anunciam
um animal xamânico que volta e meia se disfarça de realidade

Como um pêndulo alucinado
Busco a dimensão carnal da poesia
Entre becos e vielas de uma metrópole clandestina e noturna 

Pavimentos se dissolvem na loucura
Engrenagens dissipam sonhos nos alicerces da escuridão
Trilhos se entrelaçam por entre túneis espiralados 
E o poema nasce no fim do arcos íris de concreto
Como mero substrato de boemia 
Como resto de orgia e de cachaça

(Vinicius Maganha - São Paulo - novembro de 2018)  
 
 

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